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Deus não É amor

É linda a jornada humana de descoberta. Com o nascimento, a total entrega ao outro. A dependência do outro para fazer vingar a sobrevivência. Com o desenvolvimento, o constante desejo por uma vivência plena em liberdade de escolha.

Mas o que interessa mesmo é o meio do caminho. Qual conta é capaz de mensurar os aprendizados? Engatinhamos e somos do mundo imediatamente diante de nós. Limpando os joelhos ralados vamos descobrindo uma tal de identidade. O Eu vai brotando, desabrochando e mandando ver pra fazer valer os seus direitos e merecimentos. Dos tantos caminhos possíveis, alguns começam a não fazer sentido e são descartados. O coração tem que falar e ser ouvido. E, assim, a vida vai pulsando mais forte.

Construímos ideias, modos de operar, discursos, atos, laços e histórias; muitas histórias. A tal da identidade até se confunde com tudo isso. E, continuamos. Criamos apego, aversão e prosseguimos gerando e contando histórias. O tal do Eu, algo tão importante (como não?), deve ser visto, ouvido, compreendido, reverenciado. Aos poucos, com alguma boa sorte, sentimos que há mais.

Uma vida orquestrada por uma inteligência divina precisa ser mais do que um emaranhado de linhas de tempo egóicas que se cruzam mas não se conectam. E com essa pulga atrás da orelha, iniciamos o desvendar dos reais significados da vida, do eu, do outro, do tudo junto e misturado e sentimos nos atos, nos laços e nas histórias o amor. Às vezes romântico, bobo e medroso. Outras vezes corajoso, libertador e pacificador. Porém, na maioria das vezes, é uma misturinha mesmo - um tico do que é bobo com uma pitada do que liberta. E, assim, vamos nos desconfundido, e confundindo ao mesmo tempo, a partir de experiências com infinitas possibilidades de blends das (e nas) relações humanas.

Um belo dia, sentimo-nos acordados; percebemo-nos mais parceiros da mente, das emoções e vivendo, enfim, de forma artística, harmônica, descontraída, criativa e abundante em novos e bem-vindos aprendizados. Já sabemos que a energia mais poderosa do planeta se chama Amor e é incondicional. Despertos, seguimos avançando até descobrir que Deus, ou outro nome, não vive em amor, com amor, ou para o amor. Também não faz diferença chamar de Amor como forma de distinção. Definitivamente, Deus não pode ser uma noção de amor.

Toda tese humana carrega em si a sua antítese. A dualidade, inerente ao passeio do ser enquanto humano, não compete a Deus. A experiência em Deus, ou com a Grande Consciência Cósmica, é completamente despida de todo e qualquer abstração social, filosófica, linguística, religiosa ou espiritualista que carrega, naturalmente, em si, a vibração da sua "alma contrária". Deus não é fora, nem é dentro. A Consciência não é adormecida, nem é desperta. Por isso, Deus "apenas" é. A Consciência apenas é. Não é mistério, nem é ciência. É tudo que é. E tanto faz, dá pra dizer que nada é, também. Assim é Deus, um tanto faz tremendo, pois não existe caminho ambíguo.

Do mesmo jeitinho é o Eu Sou. Vibra no tudo e no nada ao mesmo tempo. Nem se alegra, nem se entristece. Transcende qualquer mentalidade. Portanto, não é algo a ser ensinado, argumentado, intelectualizado. É puro sentir; é sentar para sentir - o verdadeiro "ver pra crer". Eu senti, por isso fico atrevida e escrevo sobre o que não se escreve. E é aqui onde encontro a beleza da vida.

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