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O Amor que ama

Imagine o que seria do ecossistema se as abelhas, por exemplo, escolhessem a quem oferecer a sua contribuição para a polinização, movimento fecundo da vida. O que seria da biodiversidade se o ar e o seu ventar escolhessem, a dedo, por onde passar? Imagine que esses tipos de escolhas fossem feitas a partir de um nível especial de intelecto que permitisse a formação de justificativas e as mais diversas formas de demostração no intuito de validar argumentos.

É a sobrevivência dos meus, hoje. Talvez o acúmulo para a sobrevivência do amanhã. Excesso para a sobrevivência do quem sabe um dia se precisar. Assim, voariam menos as abelhas, ventariam menos os ventos. É o suficiente. Quem sabe até voar e ventar já nem fossem mais atividades necessárias. Ou voariam mais as abelhas e ventariam mais os ventos. Vai que falta, né? Melhor prevenir que remediar. Então, voo e vento, logo existo, e parar, nem pensar! Quem sabe até voar e ventar cada vez mais rápido.

De um lado, abelhas e ventos que se encolhem. Do outro, abelhas e ventos que fazem de tudo para se esticar. De ambos os lados, de todos os modos, deturpação, violência. Sabotagem. Criações e fortalecimento do antinatural. Aí, o tal do intelecto diz: mas eu tô só fazendo o meu; faz o teu, bença, que ninguém te chamou pra conversa! Mas repare que exite, nesse “fazendo o meu”, uma consequência que se reverbera em cadeia. No caso das abelhas e dos ventos, menos produção, menos diversidade, menos vida, mais desequilíbrio ou mais produção, mais acúmulo, mais desequilíbrio, menos vida.

É por isso que cuidar apenas do que é seu, independente da forma e do argumento, é uma profunda ilusão. Claro está que é essencial cuidar do seu, da sua. Seu corpo, sua mente, seu filho, sua filha, seu cabelo, sua barriga, seu trabalho, sua vida, etc. Mas restringir a percepção e o entendimento acerca desse ciclo dinâmico de fecundidade e prosperidade que envolve, além, dos produtos e os seus usufrutos, os talentos e as criatividades, calculando movimentos para mais ou para menos é como fugir do tema numa redação.

Abelha voa e o que o vento faz é ventar. Voar e ventar são, em si, vigor e sustento. São, também, produtores de vida e mantimento. São meio e são fins ao mesmo tempo. Movimentar-se na sua capacidade plena e no seu ritmo próprio são um respeito à vida e um cultivo à saúde de todo um sistema cheio de alma. Aceitar-se como receptor e doador de vida o tempo inteiro é uma benção para a liberdade. Cuidar-se e cuidar ou cuidar-se para cuidar, tanto faz. Porque é isso tudo junto e misturado o tempo todo.

O Amor é rico, abundante, potente e não se limita a barreiras irreais construídas em argumentos de raça, cor, gênero, afinidades, habilidades. Ou mesmo parentesco. O Amor não liga pra esse negócio de sobrenome, número de CPF e nacionalidade. Essa coisa de cuidar só do que é (m)EU ou cuidar dos (m)EU(s) não é com o A M O R, assim, bem grandão. O Amor não faz distinção de você e/ou eu. O Amor ama. Esse é o ponto.

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