Mulher Sonhando

Era cansaço e era remédio. Salvou-se na curta trajetória da gota. Olhos, boca, sensação. Navegando, sem rumo, nas próprias águas, viaja pelos ares da imaginação. Flutua.

É mulher com asas de menina. É menina em barco de mulher. Mergulha em tudo que escapa da boca lambuzada de verdade. Beija.

Sente como quem vive e torce como quem assiste. É isso e aquilo outro também. Quem imagina não se limita. Sonha.

Ainda que, no amanhã sequer anunciado, de nada lembre, ela é lúcida passagem no porto seguro do barco-asas-coração. Turbilhão. Lembranças, danças, lágrimas e risos. Adeus.

Finda o dia e chega a noite mesmo com o sol ainda esquentando o chão claro perto da janela. Sussurra.

Escorrega o corpo pela poltrona macia como quem se desmancha aos poucos e devagar, aproveitando cada milímetro de alma que se (des)governa pelos mandos do coração. Piração.

O porto-pouso-passagem é seguro. “Aventure-se”. Escuta.

Já não distingue. Sonhar é um fato.

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